domingo, 16 de janeiro de 2011

Mulher Madura


O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.

De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão.

Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs.

Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria.

A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente.

A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada.

É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe.

O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago.

Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência.

Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente.

Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.

A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira.

Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia.

Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas.

E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria.

Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto.

Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos.

Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história.

Inscrições se fizeram em sua superfície.

Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade.

Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender.

A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior.

Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente.

Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.Cada idade tem seu esplendor.

É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo.

Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo.

Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar.

A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia.

Descolou-se da superfície das coisas.

Merece profundidades.

Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias.

As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia.

Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos.

Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.

Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.


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ELE É A TUA FORÇA BEM PRESENTE!!!

ELE É A TUA FORÇA BEM PRESENTE!!!

Eu e meus desabafos...

Hummm...Fofoca é uma arma muito perigosa..que aniquila qualquer grupo por mais que este esteja bem ajustado. Vem como quem não quer nada , como uma ventania, derrubando tudo e espalhando por todos os lados as poeiras da confusão.
NiNguém está livre de fofoca...o menbro usado é a língua..esta sim, qdo não abençoa, amaldiçoa...
As pessoas devem estar antenadas para este ataque...Vem devagar e a pessoa usada para isso tem um dom, uma especialidade fora de sério!E é tão convincente que engana qualquer um...
Eu mesma já fui vítima de inúmeras fofocas e confesso que já fofoquei bastante...mas veja bem, qdo percebi o mal e o estrago que é feito e que prá consertar as vezes é impossível e deixa sequelas...Percebi que deveria me afastar de pessoas com esse dom, pq elas influenciam vc de uma maneira, que qdo percebe, já era!Fiquei mais atenta e escolhi com quem e o que devo comentar...Estou de olhos abertos e de prontidão...para não cair mais nessa cilada...
E um aviso aos fofoqueiros de plantão :TÔ FORA!!!GOSTA DE FOFOCA?ME ESQUECE,OK????


Irmãs...

Ah gentê...As vezes fico um pouco tristinha por ter tantas irmãs e sermos tão distante...Gostaria muito de poder reunir fins de semana todos para almoço com direito a gargalhadas...natal com mesa cercada por todos...mas não é assim...Bom, eu tenho esperanças de que um dia td será diferente...Afinal, somos sangue do mesmo sangue, do mesmo ventre..somos diferentes E SOMOS TODAS IGUAIS!!!!
A VIDRAÇA
Um casal, recém-casados, mudou-se para um bairro muito tranqüilo.
Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher, através da janela de sua cozinha, reparou em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido: Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
O marido observou calado.
Três dias depois, também durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e novamente a mulher comentou com o marido: Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
E assim, a cada três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.
Passado um mês a mulher se surpreendeu ao acordar e ver os lençóis muito brancos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido: Veja, ela aprendeu a lavar as roupas, será que a outra vizinha a deu sabão? Porque eu não fiz nada.
O marido calmamente a respondeu: Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei a vidraça da nossa janela!
E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos. Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; verifique seus próprios defeitos e limitações. Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos. Limpar a nossa própria vidraça antes de comentar a vida alheia.
E você?
Já limpou a sua vidraça?
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